Especialistas alertam: cirurgia bariátrica é tratamento para obesidade grave e deve ser encarado como um recurso extremo

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Nos últimos 30 anos, a obesidade dobrou em todo o mundo. No Brasil, 60% da população adulta está acima do peso ou é obesa, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O reflexo dessa epidemia vai além do espelho: em 2010 o número de cirurgias bariátricas triplicou no País, em comparação com 2005, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Especialistas não cansam de reforçar que o procedimento é um tratamento cirúrgico para uma doença grave, a obesidade. A cirurgia bariátrica não deve ser encarada pelo paciente como uma forma rápida de se livrar dos quilos a mais sem muito esforço.

“Quem quer fazer a cirurgia pensando no que vai poder comer depois de operar, não deve fazê-la”, alerta a endocrinologista Claudia Cozer, da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade (Abeso).

“A quantidade de comida será reduzida a um terço ou um quarto. Se a pessoa vai ficar infeliz porque não conseguirá comer, esse tratamento não é o indicado”, conclui.

Para o presidente da SBCBM, Ricardo Cohen, o obeso precisar ter em mente que a cirurgia é apenas o início de uma mudança de vida, que inclui comer corretamente, de forma mais saudável, inserindo no cardápio frutas, verduras, legumes, carnes, pães integrais, sucos. E que o exercício físico deverá fazer parte da rotina.

Hercio Azevedo Cunha, professor de gastroenterologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC), e membro da SBCBM, completa: “Nenhum procedimento faz milagres. As cirurgias bariátricas implicam reeducação e manutenção alimentar e física, para que os resultados sejam alcançados e efetivos no longo prazo.”

Para garantir que o paciente entenda a dimensão real dessa cirurgia, suas consequências, seus benefícios e riscos, e esteja seguro dessa opção, é importante que uma equipe multidisciplinar acompanhe o caso. Ela é composta por um endocrinologista, um psicólogo, um nutricionista e um cirurgião bariátrico. Juntos, eles poderão avaliar o paciente, amadurecer a decisão e encontrar a melhor técnica para aquela pessoa.

“O paciente precisa ter toda a informação, pensar bastante e até conversar com pessoas que já foram operadas, para saber melhor como será o dia a dia após a operação”, aconselha Cozer.

Hoje, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina reconhece quatro diferentes tipos de cirurgia bariátrica: bypass gástrico, banda gástrica ajustável, derivações bíleo-pancreáticas (duodenal switch e Scopinaro) e gastrectomia vertical  “Todas podem ser feitas por videolaparoscopia, método menos invasivo e mais confortável para o paciente”, afirma Cohen.

O indicador utilizado hoje para definir quem pode ser submetido à operação é o Índice de Massa Corporal (IMC) , resultado da divisão do peso pela altura ao quadrado. Quem tem o peso ideal apresenta índices entre 18 e 25. De 25 a 30, a pessoa está acima do peso e acima de 30 é considerada obesa. As cirurgias, no entanto, são indicadas somente para quem tem IMC igual ou superior a 35 (quando associado a outros problemas, como hipertensão ou diabetes) ou igual ou superior a 40 (sem doenças associadas).

Além disso, para ser considerado apto para a cirurgia o obeso já precisa ter tentado tratamentos anteriores sem sucesso, estar estabilizado naquele peso há dois anos e não ter contraindicações clínicas para ser operado.

 

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